Puma GTB: O gigante esportivo brasileiro que o tempo quase esqueceu
Introdução
Quando se fala em carros esportivos nacionais, nomes como Opala SS, Maverick GT e Dodge Charger costumam vir à mente rapidamente. Mas existe um modelo que marcou época com sua proposta ousada, seu visual imponente e seu desempenho de respeito: o Puma GTB.
Nascido da criatividade brasileira e alimentado pela mecânica confiável do Chevrolet Opala, o GTB foi mais do que um carro foi uma tentativa corajosa de oferecer luxo, potência e exclusividade em um tempo em que o Brasil vivia sob restrições e crises econômicas.
Hoje, o Puma GTB é um dos clássicos mais raros e valorizados do antigomobilismo nacional. Neste artigo, vamos revisitar sua trajetória, entender sua importância e mostrar por que ele merece lugar de destaque nas garagens mais respeitadas do país.
Contexto Histórico: A ousadia da Puma
A Puma começou sua história fabricando esportivos compactos e leves, como o Puma GTE e o Puma GTI, voltados para quem queria desempenho aliado a um estilo diferenciado. Mas no início dos anos 1970, a empresa resolveu apostar mais alto: criar um gran turismo brasileiro com mais conforto, mais potência e mais presença.
Foi assim que, em 1973, nasceu o Puma GTB (Gran Turismo Brazil). Com carroceria em fibra de vidro sobre chassi e mecânica do Opala 6 cilindros, ele foi pensado para competir com modelos de luxo da época, como os Ford Landau e Galaxie mas com uma pegada esportiva e moderna, inspirada nos muscle cars americanos.
Produzido artesanalmente e em números limitados, o GTB se destacou entre empresários, políticos e celebridades. Era um carro caro, raro e chamava atenção por onde passava.
Design e Carroceria: Estilo musculoso com DNA brasileiro
O Puma GTB impressionava à primeira vista. Seu design era claramente inspirado nos muscle cars americanos, com linhas longas e robustas, frente agressiva e traseira larga. Mas ao mesmo tempo, carregava um charme único que só um esportivo nacional poderia ter.
A carroceria era feita em fibra de vidro, como já era tradição na Puma. Isso não só deixava o carro mais leve, mas também facilitava o processo artesanal de fabricação. O chassi utilizado era o do Chevrolet Opala, o que garantia uma estrutura confiável e já conhecida no mercado.
A dianteira com faróis retangulares embutidos, a grade cromada, as rodas largas e o perfil baixo davam ao GTB uma aparência imponente, quase intimidadora. Já o interior oferecia acabamento refinado (para os padrões da época), com painel completo, bancos confortáveis e itens de conforto como ar-condicionado em algumas versões.
Mecânica e Desempenho: Força bruta do 6 cilindros
Se por fora o Puma GTB era imponente, por dentro ele era puro torque. O modelo utilizava o confiável motor Chevrolet 4.1 de 6 cilindros em linha, o mesmo do Opala, mas com acerto especial para entregar mais desempenho.
🛠️ Ficha Técnica – Puma GTB S1 (1974–1978)
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Motor: 4.1 L (4100cc) – 6 cilindros em linha
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Potência: Aproximadamente 140 cv
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Torque: 29 kgfm
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Câmbio: Manual de 4 marchas
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Tração: Traseira
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Velocidade Máxima: ~180 km/h
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0 a 100 km/h: Cerca de 11 segundos
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Peso: 1.350 kg
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Carroceria: Fibra de vidro sobre chassi do Opala

Em 1978, a Puma lançou a versão GTB S2, com visual atualizado e algumas melhorias no acabamento e desempenho, tentando se manter relevante mesmo diante da crise do petróleo e da alta inflação da época.
🛠️ Ficha Técnica – Puma GTB S2 (1979–1984)
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Potência: até 171 cv (em versões preparadas)
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Freios: Discos nas quatro rodas (em algumas versões)
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Rodas: Liga leve 14”
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Diferenciais: Acabamento mais refinado, novo painel, suspensão revisada
Curiosidades e Diferenciais
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O Puma GTB foi o carro mais caro do Brasil em sua época, custando mais que um Dodge Charger ou um Ford Landau.
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Por seu preço elevado e produção artesanal, menos de 1.300 unidades foram fabricadas.
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Alguns exemplares do GTB foram exportados para a África do Sul, onde a marca Puma também tinha presença.
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É comum ver unidades restauradas com rodas maiores, câmbio moderno e até injeção eletrônica, mas os mais valorizados continuam sendo os que mantêm a originalidade.
Legado e valorização atual
O Puma GTB é hoje um dos carros mais cobiçados por colecionadores que valorizam raridade, desempenho e história. Seu número reduzido de unidades, somado ao apelo estético e à robustez do motor Chevrolet 6 cilindros, fizeram com que ele se tornasse um item de desejo no mercado de antigos.
Mesmo que não tenha o mesmo reconhecimento popular de outros clássicos nacionais, o GTB representa um momento raro da indústria brasileira: quando se ousava sonhar alto e construir carros com identidade própria.
Conclusão
Mais do que um carro, o Puma GTB é um símbolo. Um símbolo de ousadia em meio à crise, de engenharia criativa e de paixão por automóveis. Ele representa o que há de mais puro no antigomobilismo: a busca por algo único, com alma, história e personalidade.
Se você ainda não conhecia esse gigante esportivo brasileiro, agora sabe por que ele merece ser lembrado, e celebrado, por todos os amantes da cultura automotiva nacional.
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